Casal de mulher e homem com vista para o mar ao mudar para a Europa

Como mudar para a Europa transformou meu casamento

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Eu disse por muito tempo que sobreviver ao meu primeiro ano de casamento foi a maior prova de amor que eu podia dar ao meu marido. Até mudar para a Europa, casada e com filho pequeno.

Casamento tem seus altos e baixos. Agora pensa comigo: uma mudança de país por si só traz uma infinidade de novas experiências e gera muitos sentimentos inéditos. Já pensou gerenciar tudo isso e ainda lidar com o trivial de todo relacionamento?

É preciso bem mais que amor para dar certo

Casamento não conserta nada. Se no namoro o relacionamento não vai muito bem, depois de casar as chances de tudo desandar são altíssimas.

Mudar de país tem o mesmo efeito: se tem algo que precisa ser melhorado no casamento, não é mudar para a Europa que vai resolver. Mesmo o velho continente sendo palco dos cenários mais românticos do mundo, é preciso bem mais que amor para que o relacionamento sobreviva.

Casal em paisagem ao mudar para a Europa
Foto de Tim Stief no Unsplash

Aquela mania insuportável do seu parceiro vai continuar te causando irritação.

A burocracia da vida vai continuar acontecendo. Os problemas de família, nem se fala. Os boletos agora vão vir em euros. Resumindo, a mudança de país não blinda ninguém do pacote básico de tretas da vida. Só adiciona uma dose bem generosa de emoção.

A vida de imigrante é feita de provações diárias, e acontece que todo mundo é levado ao seu extremo várias vezes ao dia. Por isso, vale o lembrete: amor sem paciência, compreensão, respeito e comprometimento não dura muito nem no Brasil.

Até mesmo planejar mudar para a Europa já influencia no casamento

Meu marido e eu temos visões de mundo muito parecidas. Nossa sintonia sempre foi motivo de orgulho. Quando decidimos morar na Europa, mergulhamos no planejamento. Pensamos em todos os aspectos possíveis e imagináveis para que tudo corresse bem.

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A verdade é que nem havíamos saído do Brasil ainda quando os imprevistos começaram a brotar. Ali, nossa cumplicidade já foi testada. Nem toda a nossa incrível sintonia foi capaz de nos defender dos atritos.   

Tenho plena convicção de que se não estivéssemos com as nossas expectativas muito bem alinhadas, não teríamos chegado sequer ao portão de embarque. E depois que chegamos ao nosso destino nos demos conta de que aquilo tudo foi só uma amostra do que ainda viveríamos.

Casal abraçado na cama demonstrando cumplicidade
Foto de Becca Tapert no Unsplash

Somos indivíduos antes de sermos um casal

Mudar de país foi uma transformação massiva de vida e instaurou em nós um estado constante de alerta.  A nossa bolha de zona de conforto estourou.

Somos uma dupla que funciona muito bem, sem falsa modéstia. Mas vivendo situações extremas de cansaço e estresse, descobrimos coisas a nosso respeito que nem a gente sabia.

Lidar com as nossas próprias emoções enquanto ainda precisávamos acolher ao outro foi como se a vida nos perguntasse: ei, cadê sua sintonia agora?

Sempre respeitamos a nossa individualidade.

Com a mudança, ficou ainda mais evidente o quanto sentimos o mundo e agimos de formas distintas diante das adversidades. Nosso relacionamento ganhou um degrau a mais de comprometimento, porque não só eu acolho meu parceiro enquanto meu par, mas também o acolho enquanto indivíduo.

Diálogo é muito, muito, muito necessário

Meu marido e eu nos apaixonamos na conversa. Falamos abertamente sobre tudo, seja para rir de uma cena de um filme ou para dissolver qualquer ressentimento.

Mudar para a Europa trouxe também temas densos para nossos papos. Nunca falamos tanto e tão abertamente sobre o quanto nos sentimos solitários, mesmo convivendo com gente legal boa parte do dia, por exemplo.

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Dividir minhas questões com o meu companheiro e encontrar acolhimento nele, assim como oferecer colo para ele com suas próprias questões, foi um upgrade e tanto para o nosso relacionamento. Tópicos que poderiam facilmente nos distanciar serviram para que a gente se aproximasse de um novo jeito.

Casais com filhos: vocês precisam de rede de apoio

Quando deixamos o Brasil, nosso filho tinha pouco mais de dois anos e meio. Só um ano depois de chegar na Holanda que meu marido e eu tivemos oportunidade de sair para jantar a sós pela primeira vez. Estávamos precisando tanto de um tempinho só nosso!

Casal se beija em mesa de café
Foto de Nathan Walker no Unsplash

Graças a um querido casal de vizinhos, nós pudemos sair por algumas horas para ter um date. Resgatar um pouquinho do romance em meio ao turbilhão de emoções que vivemos enquanto imigrantes foi um respiro.

Sentir-se amado e desejado é parte importante de um relacionamento, e a manutenção disso contribui muito para a harmonia do casal.

Talvez vocês tenham vizinhos incríveis como nós. Talvez vocês estejam para receber aquela tia querida ou a vovó amada das crianças e possa contar com essa presença em casa para atender as crianças.

Mas rede de apoio também pode ser paga, viu? E vale mais, quando se mora longe da família, do que muitos brinquedos, roupas e passeios caros, entre outras coisas.

Sempre que der, contratem aquela babá legal para ficar com os pequenos e pensem num programinha para os adultos. Busque indicações e faça valer a pena.

Todo dia, uma chance nova de recomeçar

Morar na Europa, ou em qualquer outro lugar do mundo, vai sim trazer desafios. Mas tem um aspecto muito positivo nessa decisão, que é o fato de podermos criar novos hábitos e tradições. Descobrir lugares inéditos, sabores diferentes, experiências inusitadas e conhecer pessoas com histórias novas.

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Passar por esse combo de novidades ao lado da pessoa com quem você decidiu viver a vida é muito especial. Principalmente para casais que já estão juntos há mais tempo. A quebra nessa rotina – de viver na zona de conforto com tudo que há de mais familiar – pode ser muito benéfica.

Todas as experiências que vivemos enquanto casal transformou nosso relacionamento, e com a mudança de país não seria diferente. Nem todos os dias foram fáceis, mas escolher amar um ao outro mesmo nos momentos mais insuportáveis nos conectou de uma maneira ainda mais profunda.

E com você, como tem sido? Conta aqui nos comentários quais os desafios e os ensinamentos que a mudança de país trouxe para o seu relacionamento.


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