Menina sobre escada em bairro típico de Lisboa, algo que acontece quando pais decidem criar filhos em Portugal
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Quando eu e meu marido (já com quatro filhas pequenas) pensamos em nos mudar do Brasil, a nossa principal motivação foi, sem dúvida, a oportunidade de criar filhos em Portugal. Assim, poderíamos usufruir das vantagens sempre mencionadas tanto em mídias quanto por amigos que já haviam ou estavam vivenciando tal realidade.

Mas como toda escolha tem prós e contras, morar no exterior com filhos também tem suas vantagens e desvantagens.

Por mais que tivéssemos pesquisado em sites, assistido a vídeos no YouTube, conversado com colegas, amigos e familiares que já vivenciaram isso (muito importante para termos uma visão mais realista possível), passar por essa experiência pessoalmente é muito mais intenso.

Chegamos em Portugal em março de 2017, e desde que colocamos nossos pés em terras lusitanas (especificamente em Alverca do Ribatejo, Distrito de Lisboa), nos deparamos com alguns desafios e recompensas. Estes muitas vezes estão presentes em uma mesma situação, o que aprendemos a enxergar como oportunidades de crescimento e fortalecimento (principalmente como família).

Os “sabores” (vantagens) de criar filhos em Portugal

O trio saúde, segurança e educação públicas de qualidade, que são grandes atrativos para quem embarca nessa aventura de morar no exterior com filhos, faz muita diferença em nossa rotina e qualidade de vida. 

Segurança

Eu posso dizer que hoje me sinto segura vivendo em Portugal com minha família, e que minhas filhas têm acesso à saúde e educação “reais”, adequadas, como acredito que todo cidadão no mundo merece ter. 

Assuntos como mensalidades escolares, carência e cobertura de planos de saúde e contratação de sistema de vigilância ficaram pra trás. 

Agendar consultas médicas e ser atendido se tornou mais rápido do que escolher um filme na Netflix. Nossa rotina é mais produtiva e organizada, já que sabemos que seremos atendidos no horário marcado.

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Levo e busco minhas filhas na escola, caminhando e, se me “apetecer”, ouço músicas em meu “telemóvel” (celular), sem me sentir insegura ou com medo. E, pra melhorar, sem me preocupar com limite de uso de dados móveis, que não são descontados pelo uso de redes sociais mais populares.

Mulher vê celular
Segurança e uso de dados móveis são duas vantagens relacionadas a celular em Portugal
Foto de Kaboompics .com no Pexels

Educação de qualidade

E por falar em escola, além do sistema educacional público de qualidade, nossas pequenas têm acesso a atividades complementares, que incluem yoga, dança, música, expressão artística, entre outras. Elas são disponibilizadas por valores acessíveis. Há ainda a possibilidade de custeio parcial ou integral pelo governo, que analisa nossa renda familiar a atribui “escalões”, que funcionam como bolsa ou benefício.

Duas meninas estudando em sala de aula
Foto de Pragyan Bezbaruah no Pexels

Civilidade

A estrutura urbanística é outro ponto positivo. Há muitas praças e “pracetas” (pracinhas) com parquinhos para as crianças. O trânsito é organizado e respeitado por motoristas e pedestres que atravessam usando a faixa. A prioridade é sempre de quem está a pé, caso esteja em uma travessia sem semáforo.

Mãe observa criança brincar em parquinho em Lisboa ao criar filhos em Portugal
Existem muitas opções de parquinhos em boas condições em Portugal
Foto de Jens Johnsson em Unsplash

Poder de compra

Uma atividade que sempre que possível me esquivava (quando morava no Brasil) e que, para minha surpresa, passei a gostar, é a ida ao mercado. Sempre há descontos e, mesmo em datas festivas, são colocadas promoções

No primeiro Dia das Crianças que passamos ao criar filhos em Portugal, me surpreendi com campanhas “leve 2 e pague 1” em uma rede de mercados. Vi também descontos realmente imperdíveis em outra rede e preços muito acessíveis em brinquedos que classificávamos no Brasil como “para pedir ao Papai Noel”.  

A qualidade dos itens, tanto alimentares quanto de higiene e limpeza, também me chamou atenção. Os mercados possuem marcas próprias, conhecidas como “marca branca”, que apresentam qualidade e preços acessíveis. E para alegria das crianças, temos embalagem com “gelados” (picolés, sorvetes) a menos de € 2 e donuts a € 0,30!

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Mulher faz compras em supermercado
Foto de Artem Beliaikin no Pexels

Agora que já estão devidamente adoçados, vamos falar um pouco sobre os “dissabores”.

Desvantagens de criar filhos em Portugal

Distância e ausência

A distância é um fato. Não estamos “logo ali”. Deixamos familiares e amigos. Nossos lugares especiais… Faz parte deste tipo de escolha, que não consiste em trocar itens de um mesmo gênero, mas de buscar objetivos que exigem algum tipo de sacrifício, ainda que momentâneo.

Não estaremos presentes fisicamente em aniversários e casamentos. Pode ser que o primeiro retorno ao Brasil demore um pouco mais do que gostaríamos (no nosso caso específico, ainda não retornamos e não temos uma previsão de quando faremos). 

Mas aprendemos a valorizar o que deixamos de mais importante. Usamos a tecnologia e os serviços de internet de qualidade que temos acesso aqui para aumentar nossa interação e diminuir a saudade. E por mais estranho que possa parecer, atualmente falamos muito mais com nossos familiares do que quando morávamos no Brasil. 

Temos a oportunidade de encontrar outros tantos brasileiros que estão em uma jornada semelhante à nossa. Desenvolvemos empatia, criamos novas amizades, trocamos experiências e formamos uma verdadeira rede de apoio.

Adaptação

Há outro fator que representa um desafio para quem decide morar no exterior com filhos, que é a cultura. Brasileiros e portugueses têm um modo de viver bem diferente. Mas temos aqui um desafio que considero ambíguo quanto ao seu impacto. 

Quando chegamos aqui e nos deparamos com uma forma de comunicar direta, que em um primeiro momento pode soar como grosseira (se compararmos ao modo brasileiro de se comunicar), nossa tendência é rotular os portugueses como “um povo frio”. Mas, se olharmos por outro ângulo, nos deparamos com pessoas sinceras que dizem diretamente o que pensam “na sua cara”, sem rodeios. 

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Também não é de costume dos portugueses fazer visitas sem marcação prévia, assim como não convidam para suas casas quem “mal conhecem”. Mas, passado o tempo que necessitam para conviver, analisar e, enfim, confiar em você, se revelam carinhosos e fiéis. E se assumirem um compromisso, está “apalavrado”, e aqui ainda vale a regra do “fio do bigode”. Mas nem pense em “dar um jeitinho” ou descumprir o que for combinado. 

Amigos reunidos em mesa de jantar
Portugueses podem se tornar verdadeiros amigos se tivermos paciência e respeito
Foto de Lee Hnetinka no Pexels

Enxergar oportunidades ao criar filhos em Portugal

Acredito que a forma de lidarmos com os desafios diversos que surgem ao morar no exterior com filhos, e o quanto aproveitamos as experiências que vivenciamos para aprender e crescer, fazem uma grande diferença.

Podemos nos preocupar por nossos filhos terem que “administrar” o convívio com povos tão diferentes ou incentivá-los a aprender com o melhor de cada um e contribuir com o que eles têm de melhor também. 

Estar “só” com seu cônjuge e filhos pode ser uma maravilhosa oportunidade de fortalecer laços familiares. 

E você, também já provou dos mesmos “sabores” e “dissabores”? 

Penso que quando compartilhamos nossas experiências aumentamos nossa gratidão pelas coisas boas e nos sentimos mais aliviados em relação aos desafios.  

Queremos saber! Contem pra gente nos comentários como tem sido sua experiência e o que você considera vantagem e desvantagem em morar em Portugal ou no exterior em geral com filhos.


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